Geiser Trivelato

fotografo e guia de birdwatching

Parque Nacional das Emas - outubro de 2008

(matéria publicada na Revista Terra da Gente de outubro de 2009)

Uma das mais importantes áreas de preservação do cerrado brasileiro, exibe toda sua exuberância, apesar de estar cada vez mais isolado e cercado pelas ações humanas.

Quem já teve a oportunidade de observar uma imagem de satélite da parte Sudoeste do estado de Goiás, nas divisas com Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, deve ter notado uma imensa mancha verde, contrastando em meio a um emaranhado de mosaicos coloridos que a cerca por todos os lados. Esta área é o Parque Nacional das Emas, um dos maiores locais de preservação do cerrado brasileiro, com seus 131.868 hectares, mas que hoje se encontram quase que totalmente ilhados, por plantações de milho, soja, cana, algodão, etc. O parque tem suas terras divididas entre três municípios. Uma pequena parte pertencente à Costa Rica (MS), outra pertencente a Chapadão do Céu (GO), e a grande maioria, dentro dos limites de Mineiros (GO), que é um dos maiores municípios brasileiros em termos de área.

Antes de adentrar ao Parque, tive a oportunidade de conhecer tanto Mineiros, como Chapadão do Céu, e a impressão é que ambas estão sabendo se beneficiar dos recursos financeiros extraídos do uso de suas terras, pois o crescimento econômico é notório, e a população está se beneficiando, recebendo toda uma infra-estrutura necessária para seu desenvolvimento.

Mas, como todo desenvolvimento afeta direta ou indiretamente o meio ambiente, a preocupação com o Parque é eminente. Originalmente criado com mais de um milhão de hectares, em 1961, pelo então presidente Juscelino Kubitschek, mesmo antes de sua regulamentação oficial, perdeu para fazendeiros e posseiros grande parte de suas terras, ficando com uma área quase 10 vezes menor do que fora criado. Além da importância do local para a preservação permanente de uma área significativa do bioma cerrado, o Parque é considerado um divisor de águas, já que em seu interior e nos arredores nascem rios que fazem parte de grandes bacias hidrográficas brasileiras:

  • O Rio Araguaia que corre para o norte, em direção à Bacia Amazônica.
  • O Rio Taquari que corre em direção ao Rio Paraguai, cortando o Pantanal.
  • Os Rios Formoso e Jacuba que cortam o interior do Parque e vão ajudar a formar o Rio Parnaíba, que por sua vez vai desaguar no Rio Paraná.

Nota-se que é de vital importância o reflorestamento para a criação de corredores ecológicos, ligando o parque a estas três grandes áreas, para facilitar assim o deslocamento principalmente da fauna silvestre, permitindo assim a entrada e saída das espécies do interior do Parque, garantindo, com isso, uma maior diversidade genética nos cruzamentos das espécies.

Outros problemas vêm afetando a fauna local, devido à proximidade das lavouras com os limites do parque. Um é a crescente morte de animais atropelados, que podem ser encontrados nas rodovias que o circundam. Impressionou a quantidade de Tamanduás-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), Tamanduás-mirim (Tamandua tetradactyla) e cachorros-do-mato (Dusycion thous) encontrados mortos. Até mesmo onças tem sido atropeladas. O outro é a contaminação da fauna pelos agrotóxicos utilizados nas lavouras. É o caso, por exemplo, do raro Bacurau-de-rabo-branco (Eleothreptus candicans), espécie que nos últimos anos no Brasil só vem sendo encontrada no Parque Nacional das Emas, e sobre a qual foi realizado um estudo que mostrou índices de contaminação destas aves, de forma indireta, após elas terem se alimentado de insetos que sofreram a ação dos pesticidas.

Bacurau-de-rabo-branco (Eleothreptus candicans) fêmea, ave ameaçada que, atualmente em   território brasileiro, só pode ser encontrada no interior do parque das Emas.

Já dentro do Parque, aos poucos, deixamos para trás as enormes áreas abertas das plantações e começamos a notar as diferenças. De uma área quase sem vida, de repente passamos para uma com as maiores taxas de biodiversidade do planeta! Pois é isto mesmo, o cerrado brasileiro é considerado a área de savana com maior diversidade de espécies vegetais e animais em todo o mundo. Uma pena que, muitas vezes, seja considerado o “patinho feio” entre as formações vegetais brasileiras. Damos muita importância para áreas de grandes florestas como a Amazônia e a Mata Atlântica, o que não podia ser diferente, mas esquecemos de nossa segunda maior formação vegetal. Ouvi uma vez uma interessante comparação dizendo o seguinte: “O cerrado é a cara da população brasileira. Muitas vezes, olhando pela primeira vez para ambos, não damos o menor valor, são de aspectos judiados, sofridos, mas por detrás desta aparente imagem, ambos são capazes de produzir uma infinidade de pequenas jóias que ao final acabam somando grandes riquezas.” 

Nosso guia e Engenheiro Florestal, André Oliveira me explica: “esta vegetação com galhos grossos e retorcidos que conseguimos avistar se elevando do solo, é apenas a ponta de cada árvore do cerrado. Na verdade, a floresta, por aqui, está mesmo abaixo do solo, já que cada árvore destas que conseguimos ver, com cerca de 2 a 4 metros de altura, tem mais cerca de 8 a 10 metros abaixo de nossos pés. Isto se explique talvez pelo solo pobre desta região que, somados aos seis meses de seca que assolam a região a cada ano, fazem destas plantas verdadeiras campeãs em sobrevivência e adaptação, cada uma indo buscar mais fundo no subsolo os nutrientes e a água necessários para a vida. Já a parte que desponta a nossa vista, tem estas cascas grossas para proteger a planta contra os frequentes incêndios comuns no final das estações secas. E o fogo está tão associado com o cerrado que há espécies tanto vegetais como animais que parecem depender dele. São os casos por exemplo, do Cajuzinho-do-cerrado ou Cajuí (Anacardium humile), pequeno arbusto com poucos centímetros de altura, que produz seus frutos nos primeiros anos e depois somente com a rápida passagem de uma queimada natural, voltará a produzi-los novamente. E que espetáculo foi poder observar enormes bandos de Arara-canindé (Ara ararauna) pousadas no solo, se alimentando das pequenas castanhas dos cajuzinhos do cerrado."

Outra espécie que parece estar associada às áreas queimadas é um pássaro raro e ameaçado conhecido por Andarilho (Geositta poeciloptera), da família Scleruridae. Todas as vezes que vi essa espécie, eles estavam a caminhar rapidamente no solo de uma área recém-queimada. Depois escalavam até o topo de um cupinzeiro, de onde subiam repentinamente a uma boa altura, sempre cantando e pareciam se jogar de repente a grande velocidade para voltar a pousar a alguns metros adiante. Vez ou outra, os Andarilhos pareciam parar no ar, assim como fazem os beija-flores, batiam as asas velozmente, mas sem saírem do lugar!

O Andarilho (Geositta poeciloptera), ave rara que pode se encontrada nas áreas recém-queimadas nos aceiros do Parque Nacional das Emas.

E por falar em aves, o Parque Nacional das Emas é um local privilegiado para quem gosta de observá-las. São 353 espécies catalogadas apenas em seu interior, sem falar nas espécies que já foram registradas em seu entorno. Mas o que mais impressiona é a quantidade de aves ameaçadas e raras que podem ser encontradas em Emas. Fiquei cinco dias por lá e consegui avistar algumas raridades, como a Águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) que passou em voo ao nosso lado e foi logo perseguida a bicadas por um trio de Araras-canindé, o Papa-moscas-do-campo (Culicivora caudacuta), o Tico-tico-de-máscara-preta (Coryphaspiza melanotis), a Maria-corruíra (Euscarthmus rufomarginatus), o Papagaio-galego (Aliopsitta xanthops) endêmico do cerrado, a Codorna-mineira (Nothura minor), o Tiê-do-cerrado (Neothraupis fasciata), o Tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata), o Mineirinho (Charitospiza eucosma), o Galito (Alectrurus tricolor) cujo macho, no auge da reprodução, apresentava a plumagem da cauda bem desenvolvida, proporcionando assim um dos voos mais interessantes entre as aves que já presenciei.  Com as asas abertas e a cauda levantada, dá a impressão de se tratar de um pequeno aviãozinho cruzando os campos, inesquecível imagem!

Algumas das das aves raras ou ameaçadas do Parque das Emas   

 

Casal de Papa-moscas-do-campo (Culicivora caudacuta) / Maria-corruíra (Euscarthmus rufomarginatus) /
Tico-tico-de-máscara-negra (Coryphaspiza melanotis)

Galito (Alectrurus tricolor) macho - abaixo

 

Mas, além de todas estas espécies de aves já citadas, Emas guarda um tesouro ornitológico em especial. Trata-se do Tiê-bicudo (Conothraupis mesoleuca) ave que foi considerada extinta durante décadas e que foi recentemente redescoberta em 2003, justamente no interior do Parque. Hoje, parece existir registro de aparições desta espécie apenas em mais um local em Mato Grosso. E, para minha alegria, consegui ver e registrar em fotos nossa raridade em questão! Um macho cantava e se alimentava, dentro de uma mata paludosa, das sementes de uma espécie de Taquarinha. Segundo Tomas Sigrist, autor da obra de referência “Aves Brasileiras, uma visão artística”, estes registros documentados do Tiê-bicudo se alimentando podem ser os primeiros que mostram que sua dieta inclui sementes, o que já desconfiavam alguns ornitólogos, que vêm discutindo sobre a posição desta espécie no gênero Conothraupis, levantando com isso as discussões sobre se a espécie deve ou não ser considerada um Emberizideo ou mesmo um Cardinalideo (ambas as famílias comedores de sementes). Discussões à parte, conseguir observar esta joia alada na natureza já fez valer toda a viagem!  

Raridade: Tié-bicudo (Conothraupis mesoleuca) macho se alimentando de sementes de uma espécie de Taquarinha. Espécie redescoberta em “Emas” em 2003, depois de décadas desaparecida.

Mas vinha muito mais pela frente! Emas não tem apenas áreas de campos e cerrados. Ao longo do rio Formoso, e principalmente do rio Jacuba, ao norte do Parque, encontram-se florestas altas em matas de galeria ou ciliar ou em áreas conhecidas por Furnas (Canyons com mata em seu interior). Foi na mata do Jacuba onde me deparei com espécies de aves que estão entre as mais espetaculares plumagens de nossa avifauna, contrastando com as plumagens discretas das aves encontradas em áreas abertas até então, nas quais predominavam as cores mais neutras como o marrom, o cinza, o preto e o branco. O primeiro foi o Udu-coroado (Momotus momota) que, além das belas cores, tem uma longa cauda que, inexplicavelmente do nada, se reparte em duas “raquetes” no seu final. Foi nesta mesma mata que também de repente veio voando até nós algo pequeno que brilhava como o fogo! Então, pousou e mostrou-se por inteiro para seus contempladores. Era o Uirapuru-laranja (Pipra fasciicauda) ave de pouco mais de 10 cm, que não tem nada a ver com o famoso Uirapuru, cantor da Amazônia. Ele é da família dos Piprideos (Tangarás), cujos machos realizam danças para atraírem as fêmeas, na época reprodutiva. E nesta espécie em questão, os machos realizam uma curiosíssima dança. Quando se apresentam à fêmea, deslizam de um lado para o outro no galho, parecem estar patinando sobre o gelo, não demonstrando qualquer movimento com os pés ou com as pernas, lembrando aquele famoso passo realizado pelo cantor e pop star americano, Michael Jackson. 

O belo Uirapuru-laranja (Pipra fasciicauda) 

 Além dos pássaros, as matas do Jacuba servem de abrigo para inúmeros mamíferos. Foi lá que avistei uma enorme Anta (Tapirus terrestris) cruzar a trilha bem na minha frente e também um pequeno bando de queixadas (Tayassu pecari) e os Macacos-prego (Cebus apella) a saltarem nos galhos acima de nossas cabeças.

É justamente nesta área onde a Jaguar Conservation Fund (Fundo para conservação da Onça-pintada), que estuda e ajuda a proteger nosso grande felino, mantém uma de suas bases instalada. Pois Onças-pintadas (Panthera onca) estão se tornando raras no cerrado, mas nessa área do Parque elas ainda são encontradas. Até mesmo uma Onça-preta tem sido avistada por lá nos últimos tempos.

Além da Onça-pintada, o parque também serve de refúgio para cerca de 80 espécies de mamíferos, muitos ameaçados de extinção. Entre eles podemos citar o Tatu-canastra (Priodontes maximus), o Cervo-do-Pantanal (Blastocerus dichotomus), o Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o Cachorro-do-mato-vinagre (Speothos venaticus), o Gato-palheiro (Leopardus colocolo), a Jaguatirica (Leopardus pardalis) e a própria Onça-parda (Puma concolor).

Outra formação vegetal de uma beleza singular, e que ocorre com frequência em Emas, são as Veredas de Buritis (Mauritia flexuosa). Basta haver uma área com presença de água, que lá estão os Buritis. Tem Buritizais no interior do Parque com quilômetros de extensão! E foi próximo a um desses que me deparei com outra cena, que vai ficar para sempre em minha memória. Com um sol espetacular do final de tarde, um veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus) a me olhar, logo ao lado um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), com sua enorme cauda levantada a procurar alimentos nos cupinzeiros, e um casal de Araras-canindé (Ara ararauna) a sobrevoá-los, fazendo toda aquela algazarra típica dos psitacídeos, tudo isso de uma só vez, tendo o buritizal como fundo, daria para um artista uma daquelas pinturas, onde toda beleza do cerrado estaria representada em uma única tela!

Localizada no seu interior, as margens do Rio Formoso, está a Sede do Parque Nacional das Emas, onde passamos as noites no alojamento para pesquisadores. É lá também que se encontram todos os veículos e equipamentos necessários para o combate a incêndios. Interessante o modo utilizado para combater as queimadas, o fogo é combatido com o próprio fogo. Pois antes de chegar os meses mais quentes e secos (Agosto, Setembro, Outubro), pequenas faixas com cerca de 40 a 60 metros de largura são intencionalmente queimadas ao lado das estradas que cortam o parque criando assim aceiros. Desde que este método foi adotado, “Emas” não sofreu mais das grandes queimadas, que destruíam quase toda sua área. E são também nesses aceiros ao longo das estradas de terra, de onde se pode avistar mais facilmente a fauna, devido à baixa ou muitas vezes inexistente vegetação nos locais. Foi assim que consegui ver a maioria das Emas (Rhea americana) que dão nome ao Parque. Uma delas, aliás um macho, reconhecido pela área preta no pescoço e cabeça, cuidava de dezenas de pequenas “Eminhas”, que o seguiam de perto aprendendo com o pai a se alimentar. Interessante saber depois, que no mundo das Emas, são sempre os machos que cuidam dos filhotes até eles se tornarem independentes. De cortar o coração, foi depois de  nos locomovermos algumas centenas de metros, encontrarmos um único filhote de ema perdido. Com certeza fazia parte daquele grupo que, apenas alguns minutos atrás, havíamos avistado. Mas esta é a lei da natureza, onde apenas os mais fortes sobrevivem. 

Em uma área de aceiro, tive também um incrível encontro com uma das criaturas que mais metem medo nas pessoas da região. Uma serpente Urutu-cruzeiro (Bothrops alternatus) seguia lentamente seu caminho ao cruzarmos com ela. Cuidadosamente me aproximei e consegui registrar este ser espetacular! Deu até para notar o desenho perfeito da pequena cruz que ela carrega projetada na cabeça, a qual é motivo de muitos causos e lendas, como uma que diz ser essa serpente tão venenosa que já traz até a cruz na testa, referente à morte, na certa, do coitado que tiver o azar de pisar e ser picado por uma delas.

Durante nossa estada nos alojamento da área da Sede, foi impossível deixar de notar a beleza do Rio Formoso, que corria a poucos metros de nós. Rio de águas cristalinas e agitadas que, mesmo com uma profundidade média de dois a três metros, permite visualizar tudo que se movimenta no interior de suas águas. Eram centenas de pequenos lambaris, vez ou outra, espantados por grandes Piaus-de-três-pintas (Leporinus sp.) em meio às plantas aquáticas a bailar com a força das águas.

O Rio também é o lar das grandes Sucuris (Eunectes murinus) que sempre são avistadas ou nadando em suas águas, ou tomando sol, enroladas, em suas margens, às vezes bem ao lado da sede do Parque. Em uma das manhãs, depois de uma madrugada muito fria, foi maravilhoso ver o rio repleto de uma espécie de névoa subindo de seu leito, com certeza causada pela diferença de temperatura entre a água e o ar frio. Confirmei, naquele momento, que o nome Formoso que lhe fora conferido, foi realmente o mais apropriado para aquele magnífico Rio!

Em Emas, às vezes não é preciso andar muito à procura dos animais. Eles, com frequência, acabam vindo até você. Fato é que, ao redor da sede do parque, durante esses meus dias por lá, uma família de Mutuns-de-penacho (Crax fasciolata), o casal adulto e seus dois filhotões, já bem emplumados, apareceram por diversas vezes no local, sem falar na Jaritataca ou Cangambá (Conepatus semistriatus), em que toda manhã rondava os alojamentos, à procura de algo para se alimentar.

Todos os anos ocorre, em Emas, um fenômeno dos mais interessantes e belos que a natureza poderia nos oferecer. Depois de longos meses de estiagem, com o início da temporada chuvosa, é só anoitecer, que milhares de larvas de uma espécie de vaga-lume (Pyrearinus termitilluminans) todas fixadas em cupinzeiros, emitem uma luz fraca e fosforescente, em um tom meio azulada ou mesmo esverdeada, que tem como finalidade, atraírem insetos até elas para se alimentarem. E como o Parque das Emas tem uma das maiores concentrações de cupinzeiros por metro quadrado do mundo, imagine todos iluminados por estas larvas com o cair das noites. É um espetáculo inesquecível para quem já pode observar este fenômeno conhecido como Bioluminescência. Dá a impressão de que os cupinzeiros se tornaram um céu estrelado. E apesar de estarmos apenas no final de Setembro, tive a sorte de ver o inicio da Bioluminescência, pois as chuvas já haviam começado a cair um pouco antes do esperado, o que normalmente ocorreria a partir de outubro.

E como havia lido antes de conhecê-lo, o Parque Nacional das Emas é realmente um verdadeiro zoológico a céu aberto! Sua fauna é, sem dúvida, seu maior atrativo. E não só dos bichos de grande porte, mas também para o mais atento observador, há muito mais para se ver e registrar por lá. Sua beleza está também em seus diminutos tesouros em formas de plantas, flores, insetos, anfíbios, coloridos ou em cores camufladas com o ambiente, muitos ainda desconhecidos ou com seus mistérios a serem revelados pela ciência.

Uma pena que nosso cerrado esteja sendo massacrado da forma que está. Como grande parte de sua área se encontra sobre terrenos planos, isso facilita a ação das máquinas que o vêm devastando, sem piedade. Estima-se que até 2030 toda área do cerrado brasileiro tenha sido destruída fora das Unidades de Conservação, que hoje representam apenas 2% . Precisamos ao menos lutar pela criação de mais Reservas legais dentro de seus limites! Será que toda área de nosso cerrado que já foi destruída já não é o suficiente para suprir o tal “desenvolvimento econômico”, que vem sendo tão apregoado pelos nossos governantes? Ou vamos deixar que a Ganância e a Ignorância venham a apagar do mapa uma das áreas naturais mais ricas e promissoras, relegando este valioso bem às gerações futuras?

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