Geiser Trivelato

fotografo e guia de birdwatching

Conheça Jacutinga!

 

                                    JACUTINGA – MG, SUAS AVES E OUTROS ATRATIVOS.

 

   Pico da Forquilha em Jacutinga MG

 

Falar de Jacutinga MG, pequena cidade de 23.000 habitantes onde nasci, cresci e de onde não pretendo sair é uma tarefa fácil para quem ama este local e especialmente suas riquezas naturais. Jacutinga é uma cidade acolhedora do extremo sul de Minas Gerais, distante sim da capital Mineira, quase 500 km de Belo Horizonte,  mas bem localizada na divisa com o estado de São Paulo, esta a apenas 100 km de Campinas e 200 km de São Paulo,capital. As cidades mineiras com maior destaque nas proximidades são Pouso Alegre e Poços de Caldas, ambas a menos de 100 km. A economia da cidade gira em torno principalmente da produção de malhas, sendo uma das maiores produtoras deste setor no país, Jacutinga recebe o título merecido de “Capital Nacional das Malhas e Tricôs”. Centenas de lojas podem ser vistas por toda a cidade, onde os fabricantes vendem suas produções a preços tão baixos que somente um produtor local poderia oferecer. Além das malhas, a agricultura (café, cana de açucar) e pecuária de corte e leiteira também fazem parte da economia local.

A cidade conta com uma boa rede hoteleira, com pelo menos três ou quatro hotéis de porte e outras pousadas mais simples, mas todos com preços convidativos que variam de R$ 40,00 à R$ 100,00 pelas diárias com café da manhã (consultar valor para feriados prolongados e férias escolares). Restaurantes e pizzarias poderão lhe servir, com destaque para a comida mineira servida no fogão de lenha no sistema self service a vontade que alguns praticam. Que tal um tutu de feijão, torresmo, frango com polenta e leitão a pururuca no almoço de domingo. Você não deverá gastar mais que R$ 30,00 por pessoa para experimentar estas delicias mineiras. Sem falar nos famosos doce de leite e pão de queijo da cidade. O queijo minas (fresco) também é produzido e colocado a venda.

 

 

Do ponto de vista geográfico, o município é grande, tem uma área de cerca de 350 km². São três os distritos que pertencem a Jacutinga localizados dentro de seu território:

 - Sapucaí, localizado próximo a divisa com Itapira SP e a 15 km do centro.

 -São Luís, localizado próximo a divisa com Espírito Santo do Pinhal SP e a cerca de 7 km do centro.

 - São Sebastião dos Robertos, próximo a divisa com Ouro Fino MG e a cerca de 12 km do centro.

Estes três vilarejos são excelentes áreas para observação de aves. Para se ter uma ideia da dimensão do município é possível fazer um roteiro saindo de Jacutinga sempre pelas estradas rurais de terra, passando por estes três distritos e voltando para cidade e isso daria aproximadamente 50 km sem passar pelos mesmos caminhos e ainda assim outros trechos de estradas rurais não entrariam neste roteiro. O Pico da Forquilha por exemplo é acessado por 2 vias diferentes e sem ligações uma com a outra, uma leva para a parte baixa da montanha e a outra leva para a parte alta até um ponto onde se tem que deixar o carro e continuar através de caminhada para se acessar a base da montanha e depois pegar a trilha pela mata que leva a seu cume. Outra estrada leva o turista até a parte alta da Serra do Alto Alegre.  Esta serra sim pode ser acessada totalmente de carro passando por locais a mais de 1300 m. de altitude e de onde se tem uma vista de tirar o fôlego.

 

  Cidade de Jacutinga com pico da forquilha ao fundo. Foto realizada no alto da Serra do Alto Alegre   a mais de 1300 metros de altitude e onde se pode chegar de carro.

 

A grande maioria das matas do município podem se chegar bem perto com o carro e algumas oferecem a própria estrada que as cortam como locais de observação de aves. Outras deixamos o carro na sua borda e fazemos pequenas trilhas no seu interior.  A maior trilha para observação de aves do município fica nas margens do Rio Mogi Guaçu e são na verdade trilhas de pescadores que as utilizam por toda extensão do município onde quer que o rio passe. Com isso é possível fazer vários km de trilha nas margens deste rio e quase sempre dentro da mata ciliar.

 

O clima é o Tropical de altitude com temperaturas agradáveis durante a maior parte do ano. As estações chuvosas e secas são bem marcadas, sendo o período de Novembro à Abril o mais chuvoso e de Maio à Outubro o mais seco.  Jacutinga esta localizada nos contrafortes de uma das ramificações da Serra da Mantiqueira, a cidade fica a 840 metros acima do nível do mar, encravada em um vale nas proximidades do rio Mogi Guaçu, e cercada de montanhas. Percorrendo as áreas rurais do município é possível atingir altitudes de 1200 a 1300 metros quando se esta no Pico da Forquilha ou na Serra do Alto Alegre respectivamente.

 

Em relação às aves, depois de vários e vários anos observando e fotografando elas por aqui, atualmente a lista de registros confirmadas dentro dos limites do município esta com 316 espécies. Se somarmos as aves observadas nos municípios vizinhos este número sobe para 370!

Acesse abaixo os links para ver fotos e nomes de 300 espécies de aves do município de Jacutinga através das 2 edições do mini guia (com 150 espécies em cada edição) e que foram lançadas em janeiro de 2013 e maio de 2015 respectivamente:

clique aqui e veja todas as 150 fotos da 1ª edição do mini guia das aves de Jacutinga

Clique aqui e veja todas as 150 fotos da 2ª edição do mini guia das aves de Jacutinga

 

Situada em uma região pródiga em nascentes, Jacutinga tem o título de Estância hidro mineral e diversas destas fontes são exploradas comercialmente no engarrafamento e venda de sua água mineral. A fonte São Clemente, localizada próxima ao centro da cidade, ao lado do lago municipal, é uma área verde aberta ao público que podem desfrutar não só da água que brota de sua fonte mas também ter um contato mais próximo com a natureza do local. Neste parque e outras praças bem arborizadas da cidade não é difícil observar Pica-pau-anão-barrado (Picumnus cirratus), Alegrinho (Serpophaga subcristata), Ferreirinho-relógio (Todirostrum cinereum), Bico-chato-de-orelha-preta (Tolmomyias sulphurescens), Bentevizinho-de-penacho-vermelho (Myiozetetes similis), Pomba-de-bando (Zenaida auriculata), Choca-barrada (Thamnophilus doliatus).

 

  casal de choca-barrada

 

Outro ponto turístico é o Pico da Forquilha, com seus 1280 m de altitude. Distante sete km da cidade, esta montanha que tem um formato triangular se avistado de uma de suas faces, chega a lembrar um vulcão extinto. Existe uma trilha que corta a densa mata e que leva o turista a seu cume e de onde se tem uma vista espetacular de toda região, sendo possível avistar várias cidades de Minas e de São Paulo. Alguns aventureiros arriscam montar suas barracas e passar a noite neste ponto. É lá que surgem as maiores chances de observação do Urubu-rei (Sarcoramphus papa), Bacurau-da-telha (Hidropsalis longirostris), Canário-do-mato (Basileuterus flaveolus), Inhambú-chintã (Crypturellus tataupa), Pula-pula-de-barriga-branca (Basileuterus hypoleucus) e Inhambú-guaçu (Crypturellus obsoletus).

 

A Cachoeira da Saudade também é uma das atrações de Jacutinga e fica a apenas 8 km do centro da cidade, próxima a divisa com o município de Albertina MG. É neste ponto onde vários fragmentos de mata atlântica ou que margeiam o Ribeirão de São Paulo (afluente do Rio Mogi Guaçu) ou que sobem as encostas íngremes da Serra do Alto Alegre, se tornam excelentes pontos de observação das aves. Ali nas matas mais próximas ao rio podemos encontrar: Pica-pau-rei (Campephilus robustus), Tico-tico-do-mato (Arremon semitorquatus), Pi-puí (Synallaxis cinerascens), Juruva-verde (Baryphtengus ruficapillus), Tiê-do-mato-grosso (Habia rubica), Chocão-carijó (Hypoedaleus guttatus), Tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus), Falcão-relógio (Micrastur semitorquatus), Pavó (Pyroderus scutatus), Tangará (Chiroxiphia caudata), Limpa-folha-de-testa-baia (Philydor rufum), Trepador-quiete (Syndactyla rufosuperciliata), Guaracava-cinzenta (Myiopagis caniceps), Patinho (Platyrinchus mystaceus), Gaturamo-bandeira (Chlorophonia cyanea). Já nas partes mais altas da Serra em que a altitude chega aos 1300m, inclusive com a presença de Araucárias (Araucaria angustifólia) já registrei a Borboletinha-do-mato (Phylloscartes ventralis), o Canário-rasteiro (Sicalis citrina), o Gavião-de-rabo-branco (Geranoaetus albicaudatus), Murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana), Coruja-listrada (Strix hylophila), Sanhaçu-de-fogo (Piranga flava). O Pintassilgo (Sporagra magelanica) não é raro onde se tem a presença de pinheiros nativos ou exóticos, especialmente no alto das serras.

 pica-pau-rei

 

Além de Albertina MG, municípios que fazem divisa com Jacutinga são Andradas, Ouro Fino e Monte Sião em MG e Itapira e Espírito Santo do Pinhal do lado Paulista. Outras cidades que ficam bem próximas são Bueno Brandão, Santa Rita de Caldas, Inconfidentes e Borda da Mata em MG e Águas de Lindoia, Lindóia, Serra Negra, Monte Alegre do Sul, Mogi Mirim e Mogi Guaçu em SP. Nestas cidades próximas conheço várias áreas interessantes para observação e fotografia de aves, e já registrei algumas muito interessantes como: Andorinha-de-bando (Hirundo rustica), Cabecinha-castanha (Pyrrhocoma ruficeps), Matracão (Batara cinerea), Beija-flor-dourado (Hylocharis chrysura), Choca-do-planalto (Thamnophilus pelzelni), Choquinha-carijó (Drymophila malura), Pica-pau-dourado (Piculus aurulentus), Piolhinho-verdoso (Phyllomyias virescens), Sabiá-úna (Turdus flavipes), Barbudinho (Phylloscartes eximius), Surucuá-variado (Trogon surrucura), Tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis), Tapaculo-serrano (Scytalopus petrophilus), Tesoura-cinzenta (Muscipipra vetula), Sanhaçu-frade (Stephanophorus diadematus), Saíra-douradinha (Tangara cyanoventris), Quete (Poospiza lateralis).

 

A vegetação predominante na região era com certeza a Mata atlântica de planalto, mas hoje devido a ocupação e as atividades humanas, as áreas antrópicas com pastagens e plantações predominam. Nestas áreas abertas entremeadas por árvores a avifauna é relacionada ao cerrado, portanto é comum a Gralha-do-campo (Cyanocorax cristatelus), o Pica-pau-do-campo (Colaptes campestris), o Cochicho (Anumbius anumbi), a Codorna-amarela (Nothura maculosa), o Tucanuçu (Ramphastos toco), a Seriema (Cariama cristata), o Falcão-de-coleira (Falco femoralis), o Gavião-peneira (Elanus leucurus), a Curicaca (Theristicus caudatus), a Maria-faceira (Syrgma sibilatrix), o Gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis), o Quero-quero (Vanelus chilensis), a Fogo-apagou (Columbina squamata), o Periquito-rei (Aratinga aurea), o João-bobo (Nystalus chacuru), o Picapauzinho (Veliniornis passerinus), o Pica-pau-branco (Melanerpes candidus), o Arapaçu-do-cerrado (Lepdocolaptes angustirostris). Nas plantações onde predominam os cafezais e canaviais vivem ou se deslocam em seu interior o Petrim (Synallaxis frontalis), o Tico-tico-rei (Lanio cuculatus) e o Inhambú-xororó (Crypturellus parvirostris). A noite, bichos como a Coruja-orelhuda (Asio clamator), o Mocho-diabo (Asio stygius), a Suindara (Tito Alba), a Mãe-da-lua (Nyctibius griséus) e o Tuju (Lurocalis semitorquatus) já foram encontradas nos bairros da periferia da cidade.

 

   periquito-rei

 

Além das regiões abertas, Jacutinga também tem áreas interessantes de natureza preservada. Diversos fragmentos de matas ainda resistem. Nas encostas das serras ainda predominam a mata atlântica com áreas úmidas, grotões que lembram a Serra do Mar em certos locais, inclusive com a presença da palmeira jussara (Euterpes edulis) ou palmito, jequitibás e perobas em algumas destas matas. Nas partes mais baixas as matas secas de planalto perdem as folhas no outono/inverno e tornam a ficar verdes e exuberantes na primavera/verão. Exemplo maior deste tipo de mata mais seca em Jacutinga é a mata ciliar do Rio Mogi Guaçu que corta um grande trecho do município e ainda esta bem preservada, sendo possível ver vários km de mata contínua por onde quer que o rio passe. As aves desta mata ciliar são Soldadinho (Antilophia galeata), Fura-barreira (Hylocriptus rectirostris), Arredio-do-rio (Cranioleuca vulpina), Pula-pula-assobiador (Basileuterus leucoblepharus), Estalador (Corythopis delalandi), Pato-do-mato (Cairina moschata), Saci (Tapera naevia), Corócoró (Mesembrinibis cayenensis), Biguatinga (Anhinga anhinga), Saracura-três-potes (Aramides cajanea), Ariramba-de-cauda-ruiva (Galbula ruficauda), Barbudo-rajado (Malacoptila striata), Mariquita (Parula pytiayumi), Guaracava-de-crista-alaranjada (Myiopagis viridicata), Saíra-ferrugem (Hemithraupis ruficapilla), Barranqueiro-de-olho-branco (Automolus leucophthalmus).

    estalador

 

   ariramba-de-cauda-ruiva

 

     fura-barreira, espécie endêmica das matas ciliares do Brasil central e que ocorre com frequência nas margens do Rio Mogi Guaçu em Jacutinga MG

 

Quando a mata seca é secundária e esta em processo de regeneração, com uma vegetação mais baixa, densa e tomada por cipós e espinhos formando uma espécie de capoeira, nela podemos encontrar: Vite-vite-de-olho-cinza (Hylophilus amaurocephalus), Tachuri-campainha (Hemitriccus nidipendulus), Choca-barrada (Thamnophilus doliatus), Chupa-dente (Conopophaga lineata), Saí-canário (Thlypopsis sordida), Pipira-vermelha (Ramphocelus carbo), Trinca-ferro (Saltator similis).

 

  pipira-vermelha macho no comedouro do sítio da família Trivelato em Jacutinga MG

 

Na parte mais baixa do município, nas matas da divisa com o estado de São Paulo nas proximidades do Rio das Pedras (outro afluente do Rio Mogi Guaçu) é o único local onde já encontrei o Chorózinho-de-asa-vermelha (Herpsilochmus rufimarginatus). Temos três espécies que são intimamente ligadas a água, João-pobre (Serpophaga nigricans), Bentevizinho-do-brejo (Philohydor lictor) e João-porca (Lochmias nematura) sempre sendo avistadas nas margens, nas pedras ou galhos que surgem nos rios e riachos e quase nunca se afastando deles. Outras preferem viver em locais onde temos bambus ou taquaras naturais dentro ou na borda de matas como são os casos do Tororó (Poecilotriccus plumbeiceps), Abre-asa-de-cabeça-cinza (Myionectes rufiventris), Marianinha-amarela (Capsiempis flaveola), Borralhara (Makenziaena severa), Papa-taoca-do-sul (Pyriglena leucoptera), Cigarrinha-do-coqueiro (Tiaris fuliginosus), Miudinho (Myiornis auricularis), Olho-falso (Hemitriccus diops).

    marianinha-amarela

 

Ainda é possível encontrar também áreas úmidas por aqui. Estes brejos ocorrem principalmente ao lado da calha do Rio Mogi Guaçu, nas áreas planas que chamamos de várzeas do Rio Mogi e que fica ao lado e logo após a mata ciliar. Espécies típicas destes brejos são Socó-boi (Tigrisoma lineatum), Sanã-parda (Laterallus melanophaius), Narceja (Gallinago paraguaiae), Garibaldi (Chrysomus ruficapillus), Sanã-carijó (Porzana albicollis), Caboclinho-branco (Sporophila pileata), Chorão (Sporophila leucoptera), Chopim-do-brejo (Pseudoleistes guirahuro), Pia-cobra (Geothlypis aequinoctialis), Bico-de-veludo (Schistochlamis ruficapillus), Tesoura-do-brejo (Gubernetes yetapa), Suiriri-pequeno (Satrapa icterophrys), Freirinha (Arundinicola leucocephala), Casaca-de-couro-da-lama (Furnarius figulus), Japacanim (Donacobius atricapilla), João-botina-do-brejo (Phacellodomus ferrugineigula) e Sabiá-do-banhado (Embernagra platensis). Este rio por sinal é responsável pelas inundações destas áreas de baixada ao longo de suas margens, e dependendo da quantidade de chuvas, as cheias podem durar de Dezembro à Abril e as águas ditam o ritmo deixando as várzeas inundadas por várias vezes durante este período do ano. Mas estas cheias não costumam ser longas, elas vem e vão com certa facilidade e duram em média 10 à 15 dias, deixando várias lagoas temporárias formadas quando as chuvas diminuem e o rio baixa voltando a correr em sua calha natural. É neste período de cheias que diversas aves aquáticas aparecem em Jacutinga, é possível ver bandos de Cabeça-seca (Mycteria americana), Irerês (Dendrocygna viduata), Colhereiros (Platalea ajaja), Garça-moura (Ardea cocoi), Jacanãs (Jacana jaçana) e até Tuiuiú (Jabiru mycteria) e Gavião-do-banhado (Circus buffoni) apareceram por aqui neste período.

   sabiá-do-banhado

 

Em Abril/Maio é a vez de certas aves migratórias que estão fugindo do inverno rigoroso no sul do país passarem por Jacutinga, é a oportunidade de se ver o Caboclinho-de-chapéu-cinzento (Sporophila cinnamomea) e uma espécie rara a recém descrita, a Patativa-tropeira (Sporophila beltoni) que foi estudada por biólogos do Rio Grande do Sul onde ela se reproduz no verão e se tornou uma nova espécie para o Brasil em 2014.

Entre Junho e Agosto, aparecem a Saíra-viúva (Pipraeidea melanonota), o Príncipe (Pyrocephalus rubinus), o Azulinho (Cyanoloxia glaucocaerulea) e o Gaturamo-rei (Euphonia cyanocephala) fugindo do frio das altitudes mais elevadas ou de regiões frias mais ao sul.

Com o inicio da primavera a partir de setembro e o inicio dos dias mais quentes, dezenas de espécies migratórias, principalmente as insetívoras chegam à região. Exemplos são: Tesourinha (Tyranus savana), Bem-te-vi-rajado (Myiodinastes maculatus), Suiriri (Tyrannus melancholicus), Peitica (Empidonomus varius), Bem-te-vi-pirata (Legatus leucophaius), canário-Tipio (Sicalis luteola), gavião Sovi (Ictinia plumbea), Papa-lagarta-acanelado (Coccyzus melacoryphus), Andorinhão-do-temporal (Chaetura meridionalis), Guaracava-grande (Elaenia spectabilis), Juruviara (Vireo olivaceus). O Sabiá-ferreiro (Turdus subalaris) canta por muitos poucos dias nesta época e parece ser atraído pela frutificação das Amoreiras.

Em outubro é a vez do Bacurau-chintã (Hydropsalis parvulus) e do Urutau ou Mãe-da-lua (Nyctibius griseus) cantar todas as noites, principalmente nas de lua cheia. Também chega o Beija-flor-de-veste-preta (Anthracothorax nigricollis). O Saci (Tapera naevia) apesar de ser uma ave com hábitos diurnos é capaz de cantar sem interrupções noites inteiras nesta época do ano.

Novembro marca a chegada dos Bigodinhos (Sporophila lineola) que vão ficar por aqui até meados de Abril. É neste período entre outubro e novembro que Jacutinga recebe apenas por alguns breves dias a passagem de algumas espécies muito especiais de aves que são os caboclinhos. Eles migram do norte, do cerrado do Brasil central e param por aqui por apenas uns 10 dias para se alimentarem das sementes de certos capins nativos das várzeas e logo partem em direção a região sul do Brasil, Uruguai, Argentina onde irão passar o verão e se reproduzirem. Nesta época é possível ver por aqui o Caboclinho-de-barriga-vermelha (Sporophila hypoxantha) e o Caboclinho-de-barriga-preta (Sporophila melanogaster).

Finalmente em Dezembro, chega a Polícia-inglesa-do-sul (Pseudoleistes superciliares) e o Curió (Sporophila angolensis) ainda pode ser ouvido quando frutifica o capim-navalha, seu principal alimento.

   polícia-inglesa-do-sul

 

Além das aves, a fauna em Jacutinga é bem representada por uma série de mamíferos como Macaco-prego, Quati, Mão-pelada ou Guaxinim, Irara, Furão, Veado-catingueiro, Serelepe ou esquilo, Gato-mourisco ou Jaguarundi, Tatu-peba, Tatu-galinha, Ouriço, Gambá-de-orelha-preta, Gambá-de-orelha-branca, Capivara, Paca, Catita ou quaiquica, Cuíca-de-três-listras, Cachorro-do-mato e algumas espécies ameçadas como o Lobo-Guará, a Onça-parda, o Gato-do-mato-pequeno, o Macaco-Sauá e o Sagui-da-serra-escuro.  Entre os répteis o Lagarto-teiú é comum e com relação a serpentes a Cascavel seria a mais abundante, apesar de serem raros os encontros com este animal durante o dia.

 

  sagui-da-serra-escuro (ameaçado de extinção)

 

Em resumo, Jacutinga oferece sim uma série de atrações para o turista. Seja pelo simples fato de vir para cá em busca de suas malhas, seja para fugir da agitação dos grandes centros e poder caminhar tranqüilo por suas ruas sem a preocupação com a violência, seja para usufruir de suas águas minerais de diversas de suas fontes ou para desfrutar da gastronomia mineira ou ainda para estar em um contato mais íntimo com a natureza, através de caminhadas, trilhas para jipeiros, moutain-bike, observação de aves, mirantes e cachoeiras! Tudo isso em uma região privilegiada pelo clima de montanha e bem localizada entre os principais grandes centros do sudeste do país.

Distâncias de Jacutinga:

Campinas SP: 100 kms

São Paulo SP: 200 kms

Belo Horizonte MG: 475 kms

Rio de Janeiro RJ: 467 kms

Águas de Lindóia SP: 61 kms (alternativa por terra em certo trecho 25 kms)

Serra Negra SP: 65 kms

Monte Alegre do Sul: 69 kms

Campo Grande MS: 985 kms

Aquidauana MS (Pantanal sul): 1120 kms

Cuiabá MT: 1485 kms

Poconé MT (Pantanal norte): 1600 kms

Brasília DF: 920 kms

Ubatuba SP: 330kms

São Luis do Paraitinga SP (Reserva Guainumbi): 310 kms

Itatiaia RJ: 295 kms.

São Roque de Minas MG (Serra da Canastra): 435kms

Monte Verde (distrito de Camanducaia MG): 185 kms

Tapiraí SP (Trilha dos Tucanos): 270 kms

 

  nascer do sol com névoa em vale e montanhas ao fundo em Jacutinga MG

 

Entre em contato comigo para marcarmos uma saída em Jacutinga. Tenho disponibilidade para guiar também durante a semana. Meu valor cobrado pelo dia de serviço como guia aqui em Jacutinga é de R$ 150,00 para 1 pessoa, R$ 200,00 para 2 pessoas ou 3 pessoas. R$ 250,00 para grupos de 4 ou mais pessoas. 

 

Estrutura para ficar hospedado em Jacutinga

Jacutinga fica a 25km de Águas de Lindóia. Mas também tem boas opções para pernoites:

Hospedagem                                 

 Os Hotéis em Jacutinga tem as diárias entre R$ 40,00 à R$ 100,00

 

O maior e com mais tempo em atividade da cidade:

- Hotel Parque das Primaveras: apart. com TV, frigobar, som, telefone direto, ventilador de teto. Área de lazer com piscinas e cachoeira artificial aquecidas, quadra poliesportiva, quadra de volêi e campo de futebol society gramado, pista de cooper, quiosque para churrasco, sala de jogos, charrete e bicicletas para passeio, sauna seca e a vapor, hidromassagem, ducha circular, Salão de Convenção para 100 pessoas, estacionamento coberto e fechado. Área de lazer funciona aos finais de semana.

Contatos:
Rua Siviano Brandão, 29 - Tel: (35) 3443 1500 fax: (35) 3443 1357  site: www.hotelparquedasprimaveras.com.br / email: contato@hotelparquedasprimaveras.com.br

Diária com café da manhã incluídas.
Existem refeições no próprio restaurante do Hotel que são pagas a parte.

 

Hotéis mais simples:

- Hotel Colonial: Apartamentos com TV, som e café da manhã. Rua Américo Prado, 494  Centro  fone: (35) 3443 2155  com café da manhã.


- Gandhi Hotel: Apartamentos com TV, sala de Tv, café da manhã típico mineiro  Pça Delfim Moreira, 135  Centro  fone: (35) 3443 1787 fax (35) 3443 2544  com café da manhã.

  Hospedagem                                 


Hotéis Intermediários:
- Hotel Filhos de Gandhi: Suítes c/ tv, som, frigobar, ar condicionado, telefone, ventilador teto, restaurante American-bar, sauna, piscina aquecida, estacionamento. Rua Barão do Rio Branco, 44  Centro  PABX: (35) 3443 2544  www.hotelfilhosdegandhi.com.br   / Diárias com café da manhã incluído 

- Dias Palace Hotel: Apto c/ tv, som ambiente, telefone, frigobar, ar condicionado, Internet wireless. Rua Américo Prado, 645 - Centro fone: (35) 3443 3239 www.hoteldias.com.br 

Obs:

- Os cafés da manhã em todos estes 4 hotéis são servidos a partir das 07:00 hs da manhã, com alguma possibilidade de alterar para as 06:30hs.  - A maioria dos hotéis não servem refeições, a excessão seria o  Hotel Parque das Primaveras que  serve refeições que podem ser pagas a parte. 

- Uma outra opção de hospedagem mais simples e no campo somente para grupos pequenos seria nossa chácara (familia Trivelato): 60,00 reais por pessoa  sem as refeições. A  2kms da cidade. Não servimos café da manhã, almoço e jantar na chácara, mas temos todos os utencílios para o cliente preparar suas próprias refeições. Casa com 2 quartos, cozinha, sala e banheiro e muitas aves no entorno. Consulte através dos fones: (35) 3443 1553 com Ari ou (35) 3443 3773 Geiser

Restaurantes                                  

- Restaurante Recanto dos Amigos: Self Service no fogão a lenha.

- Restaurante Lenha no Fogão: Self Service durante o almoço - A La Carte no jantar  

Valores médios das refeições: R$ 30,00 

Ônibus                                           

A viação que serve Jacutinga é o Expresso Gardênia. De São Paulo, saem ônibus pela manhã, no início e no fim da tarde, 3h de viagem De Campinas há ônibus com frequência. De carro, São Paulo - Jacutinga são 2h30.